Em março de 2010 tive a honra de conversar o grande pesquisador da história mineira, o professor Edeilson Matias Azevedo, que na época trabalhava na publicação de um livro sobre o delator da Inconfidência, Joaquim Silvério dos Reis. O trabalho, polêmico e rico de possibilidades, nunca foi publicado. Edeilson faleceu alguns meses depois. De toda forma, esta é a nossa conversa integral, que foi muito proveitosa, esclarecendo diversas questões ainda não respondidas sobre o maior vilão da história brasileira. Fica aqui os pêsames pela partida precoce de tão talentoso e promissor historiador.

Joaquim Silvério dos Reis, o Obscuro.
Seu nome completo era Joaquim Silvério dos Reis Leiria Guites, nasceu em 1755 ou 1756 na freguesia de Monte Real, Portugal. Filho de pai militar, mudou-se para o Brasil com cerca de 20 anos em 1776 para dedicar-se a carreira de comerciante, fixando-se no Rio de Janeiro e posteriormente em Minas Gerais. Ajuntou em Minas bons rendimentos e dívidas idem. No ano 1789, com 33 anos, era ao lado de João Rodrigues de Macedo um dos homens mais ricos da Capitania, e também a segunda maior dívida para com o Fisco. Em março de 1789 entrega sua tão famosa carta de denuncia. Em maio é preso. Em inicio de 1790 é solto. Em 1794 muda-se para Portugal, retorna ao Brasil em 1795. Entre várias idas e vindas retorna ao Brasil com toda a corte portuguesa em 1808 e se instala no Maranhão até a data de seu falecimento em 1819, com 64 anos. Muito antes disso, logo após a morte de Tiradentes em 1792, já era apontado nas ruas pelo codinome com o qual entraria para a história: Silvério, o traidor.